Publicado por: @juba7 | fevereiro 16, 2010

Cozinha Romana

Fígado de cordeiro acebolado, espinafre e radicchio rosso grelhado

Fígado de cordeiro acebolado, espinafre e radicchio rosso grelhado

Roma não é famosa pela sua gastronomia. Conta a história que o povo romano aprendeu a cozinhar com os restos dos alimentos jogados fora pelos mais abastados (caso muito semelhante ao da nossa feijoada, criada pelos escravos com a mistura do feijão preto mais a orelha, pé e outras partes do porco). Não é à toa que os pratos tradicionais romanos se baseiam nos miúdos de animais. Fígado, tripa, coração de cordeiro, porco ou vaca, além da carne de cavalo integram o menu de segundo prato.
Pra quem se assusta um pouco, basta comer um primeiro prato,

Primeiro prato é boa opção para quem não quer arriscar

Primeiro prato é boa opção para quem não quer arriscar

geralmente uma massa ou sopa, que vai ficar bastante satisfeito. Eu provei um spaghetti com molho de aspargo com nozes e uma outra massa com molho vermelho tradicional. Os dois eram muito bons.
Como acompanhamento, pedi espinafre refogado e o radicchio rosso grelhado, mas me arrependi em não pedir a alcachofra, que também parecia ser grelhada.

O QUE É O QUÊ

Talvez eu erre o nome dos pratos porque no famoso restaurante Betto & Mary não havia menu. O garçom vem até a mesa (quando acha que é hora de atender) e grita quais são as opções. Não demore a escolher, ele perde a paciência. Pra beber, não me deram opção: vinho da casa e água. Você nem pede, eles trazem. Não gostei do vinho. Parece o nosso de garrafão. Pedi para a garçonete mais um copo para a água, já que ela tinha trazido apenas um e eu tinha provado o vinho. Ela foi até a cozinha e voltou com a notícia de que aquele era um dia cheio, uma funcionária tinha faltado, estava uma correria, apenas quatro pessoas para atender todas as mesas. Tudo isso pra me dizer que todos os copos estavam sujos e que eu ia ter que colocar água no meu copo de vinho mesmo.

Área para fumantes do Betto & Mary

Área para fumantes do Betto & Mary

Nesse restaurante tinha uma área para fumantes. Eu, como fumo, acho ótimo. Só me espantei um pouco ao ver os garçons e garçonetes fumando também enquanto atendiam aos clientes. Até o pessoal da cozinha vinha ali para fumar.
Nossa mesa era quase grudada na de outros três rapazes, coisa de centímetros. As pessoas interagem, compartilham o mesmo cinzeiro, perguntam o que a outra está comendo e escutam a conversa alheia.
Diferenças culturais à parte, me diverti e também comi muito. Todos muito simpáticos, me trataram muito bem e ainda deram desconto na conta (que tinha saído €40). Porém, confesso que Roma ainda está com uma dívida gastronômica comigo.

Restaurante Betto & Mary, Via dei Savorgnan 99, Roma, Itália
Reservas: (0039) 0645421780
NÃO ACEITA CARTÃO DE CRÉDITO


Responses

  1. Olá!
    Não conhecia o site, acabei aqui quando pesquisei no google sobre o Guacamole. Achei muito interessante o blog, e tua visão sobre a culinária romana me deixou intrigada. fiquei me perguntando se visitamos partes muito diferentes da cidade. isso porque estive com minha irmã lá em fevereiro deste ano, e simplesmente comemos muito bem! Claro, pra quem fica muito satisfeito com qualquer prato de massa, como nós, foi muito fácil. Ficamos cinco dias, e comemos em diferentes regiões da cidade. chegamos a conclusão que restaurantes longe dos muitos turistas são melhores, e concordamos contigo que o atendimento não é como estamos acostumados no Brasil!
    beijos!

  2. Não sei se os restaurantes que vocês foram eram de comida regional, mas nesse restaurante a culinária era típica romana mesmo. Eu não comi mal, mas esperava mais deles, especificamente, já que é um restaurante tão bem falado entre os romanos tradicionais da cidade.
    De qualquer modo, penso que vale a pena dar um pulo lá. É de se conferir!

  3. Muito legal esse blog. Parabéns!

    Eu nunca fui a Roma, mas como tenho muita curiosidade, parei pra ver esse post. Uma pena que suas experiências gastronômicas por lá tenham ficado aquém das expectativas.

    Antes de ler outros posts, aproveito pra comentar sobre miúdos e feijoada.
    Eu sempre desconfio um pouco dessas teses que associam o preparo de miúdos à falta de grana. Principalmente porque moela, fígado, coração, língua, rim, tripas, miolo e afins, antes de serem baratos, são muito saborosos.
    Por isso, imagino que essas teses que associam miúdos a pobreza devem ter sido criadas por ‘historiadores’ preguiçosos com paladares um tanto limitados.

    Será mesmo que rabo, orelha e pé de porco eram considerados “sobras” pelos senhores e destinados às senzalas?
    Acho que não. E imagino que as culturas mais antigas já devem ter começado a experimentar os sabores de todas as partes dos animais abatidos, sem desprezar os miúdos.
    Aliás, não só os europeus, mas também os árabes, os chineses e os japoneses também têm tradição em cozinhar muito bem miúdos e outras carnes que algumas pessoas acreditam ser “menos nobres”.

    Sobre a história da feijoada, eu confio mais nos relatos do pesquisador Câmara Cascudo. Na “História da Alimentação no Brasil” ele conta que a feijoada seria uma versão nacional dos cozidos europeus que, ao contrário dos indígenas, eram acostumados a cozinhar carnes e vegetais misturados. Um exemplo citado é o cassoulet francês.
    Saul Galvão escreveu um pouco sobre isso no Estadão em 2007: http://blogs.estadao.com.br/saul-galvao/sobre-a-feijoada/

    Eu, como não sou nenhum estudioso do assunto, preocupo-me mesmo em poder experimentar e saborear as boas feijoadas por todo o Brasil, os fígados, moelas e torresmos que os mineiros fazem como ninguém, as línguas bovinas e barrigas de porco servidas nos bons botecos japoneses e também as rabadas, dobradinhas e ossobucos preparados nos bons restaurantes italianos.

    Nesses tempos em que predominam os pedaços de carne embalados em badejinhas de isopor nos mercados, é sempre bom viajar, conhecer e experimentar os sabores das culturas.

    Viva as culturas! Viva os miúdos!
    E, de novo, parabéns pelo blog.

    Um beijo!

  4. Eita, que delícia de comentário! Verdade, é sempre bom desconfiar dessas versões “oficiais”. Também não sou uma estudiosa sobre o assunto, mas não duvido que as denominações “carnes nobres” e “não nobres” sejam algo recente na cultura gastronômica nacional ou mundial. Afinal, o que importa é o sabor e não quanto custa o quilo de uma carne, não é mesmo?
    Obrigada pelo post.
    Abração!


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