Publicado por: @juba7 | setembro 11, 2008

O Melhor Restaurante de Buenos Aires

Aos que crêem que gosto não se discute, recomendo não ler esse post. Na minha opinião, gosto se discute sim. Afinal, você tem que definir critérios para justificar se algo é bom ou não. A resposta de “gosto porque esse é meu gosto” apenas esconde a incapacidade de explicitação de seus próprios critérios. É isso que faz da crítica (de arte, de cinema, gastronômica, etc.) algo tão difícil.

Na minha opinião, o melhor restaurante de Buenos Aires é um pequeno bistrô, de cozinha de autor, chamado Restó (apelido portenho para restaurante).

Como ainda não tenho a cara de pau dos blogueiros gastronômicos, que sacam a câmera, tiram foto da entrada, do prato principal, da sobremesa, encontrei na web apenas uma foto da entrada.

Vejam que é um restaurante pequeno. Além das mesas que vocês vêem na foto, talvez haja, no máximo, mais umas duas. Ele só aceita dinheiro. Não abre aos fins de semana. À noite, só abre na quinta e na sexta (de segunda à sexta, abre para o almoço), mas, talvez por isso mesmo, a comida é fantástica.

Seu cardápio é enxuto, e muda ao sabor das experimentações do chefe, e, claro, da disponibilidade de ingredientes. São algumas opções de entrada, três ou quatro opções de prato principal, e algumas sobremesas. Ele fica escondidinho, dentro da Sociedade Central de Arquitetos de Buenos Aires (Rua Montevideo 938 . Tel: 4816-6711). Não preciso dizer que é altamente recomendável fazer reserva.

Conhecemos o Restó na primeira vez que fomos a Buenos Aires. Como gostamos muito de boa comida (e, tenho que admitir, São Paulo é imbatível nesse quesito), a primeira coisa que fizemos foi comprar um guia de restaurantes, numa livraria. Era um guia razoável, no velho esquema estrelas de qualidade e cifrões de gastos. Fomos experimentando cada uma das sugestões. Estávamos já meio desanimados, pois não havíamos comido nada muito excepcional. Eram restaurantes medianos. Nesse ponto, aliás, condizentes com a avaliação do guia.

Resolvemos então ir para os restaurantes recheados de estrelas (e, claro, recheados de cifrões!). Mas começamos por um que não tinha tantos cifrões, comparado aos demais estrelados, é claro. E foi então uma das experiências gastronômicas mais marcantes que eu já tive, comparável somente à primeira vez que fui no Aizomé, em São Paulo, um pequeno restaurante japonês onde o menu-degustação é uma arte que acompanha cerâmicas adequadas a cada prato. Mas essa é uma história para outro post.

Como não tenho fotos, não faz muito sentido eu ficar descrevendo os pratos que comemos. Mas fica aqui a dica. Aliás, eles também têm uma ótima carta de vinhos, com preços bacanas. O Quimera, da Achaval Ferrer, por exemplo, saía por 150 pesos. O mesmo preço da adega!

Contudo, não posso atestar que haja regularidade nas experimentações do chefe (infelizmente, problema semelhante recai sore o Aizomé). Nessa nossa última viagem, voltamos ao Restó, e apesar da boa comida, ela não estava excepcional. Não senti nada comparável àquela primeira experiência sensorial de combinações perfeitas de aromas e sabores. À exceção da entrada: pequenos filés de tricha marinada (não sei se é assim que se escreve, mas a tal tricha é um peixe), acompanhados de ótimo vinho branco. Como a taça fazia parte do prato, não sei que vinho era. E estava tão concentrada com aquela combinação, que não me preocupei em perguntar.

Por fim, uma convicção: os portenhos não têm tradição em sobremesas!

Cotação: $$$$

Avaliação: 5

O QUE RESTOU EM 2010

Confesso que o Restò, nessa temporada, decepcionou. Um badejo sem nenhuma personalidade, acompanhado de… de quê mesmo? Nossa, o prato era tão fraco que não restou nada na memória. Das duas entradas, uma se salvou. A tábua de cogumelos estava deliciosa e a outra era… escapou-me da memória também. Seria um almoço correto, não fosse o valor dos pratos, em torno de $40 pesos. Pode ter sido azar, penso que darei uma nova chance ao restaurante. De qualquer forma, não é mais aquela comida, digamos, inesquecível como no texto acima.

Cotação: $$$$

Avaliação: 3  – bom


Responses

  1. Olá, gostaria de saber quantos dolares, no mínimo, são necessários para 4 dias na argentina? é necessário fazer reserva de hotel em janeiro? é fácil conseguir hospedagens? Neste período o clima é frio ou quente?

  2. Juliana, muito bom seu site. Gostei do título, da honestidade e da indisfarçável (mas nem por isso ostentosa) inteligência dos comentários.

    Vou alugar um apartamento em Palermo (ao lado da embaixada americana, perto do Jardim Botânico) para passar uns dias agora no início de janeiro. Que tal o local? Alguma dica?

    E mais: vamos eu e Luciana comemorar 15 anos de casamento + cinco de namoro (!) Só que Luciana naõ tem passaporte. Sei que é possível entrar com a ID brasileira, mas em alguns sites li sobre a necessidade de a ID ter 10 anos ou menos (data de expedição). A dela é de 1994, portanto 14 anos velha. O documento está em ótmo estado. Nos sites oficiais não li nada a respeito da exigência de 10 anos ou menos de expedição do documento. Você sabe algo a respeito?

    Agradecido.

    E parabéns mais uma vez.

  3. Obrigado pela visita, Juliana! Adorei o conceito do teu blog! Tô supercorrendo, mas quando chegar em SP vou dar uma passeada bacana nele!

    Meu blogroll tá desatualizado, mas devo atacar a listinha até a semana que vem.

    Bjs!

  4. Olá Juliana, minha esposa e eu somos marinheiros de primeira viagem internacionalmente falando. Vamos à Buenos Aires em Março/10 e tenis várias dúvidas sobre docs necessários para entrar naquele país, compras que podemos trazer ao brasil, pontos turisticos a visitar, troca de moedas se lá ou aqui ou se troco por dólar ou peso, enfim MUITAS dúvidas. Poderia nos ajudar?

  5. Nessa época é super quente em Buenos Aires. Chega a fazer 30 graus. Leve protetor solar e roupas leves.
    Sim, é master necessário fazer reserva de hotel.
    Agora, quantos dólares, bom… fica difícil de dizer.
    Abraço,
    Juliana

  6. Acho que o melhor restaurante de Buenos Aires e o Casa Cruz!!

  7. E agora, Eduardo? Eu não conhceço esse restaurante e embarco para Buenos Aires semana que vem. Pelo que li em outros blogs, me pareceu um pouco afetado para o meu gosto, forçando barra para SER contemporâneo. Entretando, fiquei relativamente curiosa. A ver.
    Abraço e obrigada pela dica!

  8. Quer comer bem em Buenos Aires. Fuja dos restaurantes para turistas. Uma boa pedida é o LOS REMOLINOS. Carne excelente feita no carvão e acompanhada de um belo vinho. A carne eu garanto o vinho depende do que você pedir – mas será dificil errar.

    http://bfphoto-fineart.blogspot.com/2010/04/remolinos-restaurante-buenos-aires.html

  9. Já me disseram pra fugir de “Siga la Vaca”.

  10. Bom não posso deixar de falar do Cabana Las Lilas, em Puerto Madero, tá é bem óbvio, mas só o couvert já vale!!Outra coisa, os preços em Buenos Aires estão exorbitantes, a inflação não perdoou nem o alfajor, estive lá em fevereiro de 2012, e não dá p comer bem em restaurante por menos de 100 pesos por pessoa! Bom, p quem está indo p lá com a doce ilusão do real valorizado em relação ao peso, é bom se preparar! Mas ainda assim é uma viagem imperdível, não vejo a hora de voltar!


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